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Desde sexta-feira, maternidade Carmela Dutra e Hospital Infantil, em Florianópolis, recebem apenas casos graves

Segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Enquanto servidores e governo acirram queda de braço, atendimentos nos hospitais de SC estão precários

Desde sexta-feira, maternidade Carmela Dutra e Hospital Infantil, em Florianópolis, recebem apenas casos graves Nos últimos quatro dias de greve, servidores e governo acirram uma queda de braço sem negociações. O maior problema é a falta de expectativa para o retorno das atividades normais, pois não há previsão de acordo entre o Estado e os servidores. Enquanto isso, o atendimento nos hospitais de SC está precário.

Os hospitais registraram mais de 10 boletins de ocorrência contra os grevistas, já o Sindicato dos Trabalhadores em estabelecimentos de Saúde Público Estadual e Privado de Florianópolis (Sindsaúde) acusa o Estado de criminalizar o movimento.

A situação piorou quando o governo passou a cortar o ponto dos grevistas na sexta-feira. Mesmo com a liminar da Justiça que determina a manutenção de 70% dos serviços, a intensificação dos últimos quatro dias de greve causou o esvaziamento dos hospitais.

Segundo o SindSaúde, não há como garantir o percentual se a mesma decisão judicial exige que grevistas fiquem 200 metros de distância das unidades, o que estaria impossibilitando os revezamentos de funcionários que trabalhavam em jornadas parciais.

— Fizemos nossa defesa, mas ainda não tivemos um posicionamento da Justiça. A decisão só impôs sanções aos grevistas e não ao governo — considera o diretor de Imprensa do Sindsaúde, Clausio Vitorino.

Para o procurador Geral do Estado, João dos Passos Martins, além de descumprir decisão judicial, os grevistas omitem socorro. Os boletins de ocorrência devem gerar inquéritos policiais e podem ser transformados em processos judiciais e administrativos disciplinares.
— A liminar previu uma multa de R$ 10 mil por cada ato de descumprimento. Sindicato e grevistas devem mais de R$ 200 mil. Reunimos provas para pedir que a a Justiça faça a cobrança — afirma Martins.

As reivindicações

A principal reivindicação dos trabalhadores é a gratificação salarial entre R$ 1.300 e R$ 1.800 sobre o vencimento, como compensação do anúncio do governo de acabar com as horas-plantão.

Na última semana, o governo ofereceu como contraproposta a opção de 42 horas semanais para quem quiser ganhar salários maiores do que quem trabalha 30 horas semanais.

— Queremos uma gratificação pelo serviço, assim como os médicos recebem. Mas o governo ofereceu aumento da carga de trabalho, o que vai contra a Lei Complementar 323, de 2006, que fixa as 30 horas semanais — critica Vitorino.

Triagem na porta da emergência do Hospital Infantil

A professora Silvana Polli levou seu filho Gabriel, de 11 anos, para a emergência do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis às 12h desta segunda-feira. O garoto tinha sofrido uma crise de epilepsia no fim de semana e conseguiu entrar na unidade depois que a única técnica de enfermagem que compareceu ao trabalho foi até a porta avaliar o caso. Gabriel conseguiu entrar, mas outras crianças não. Esse é um dos reflexos da greve que completa um mês nesta semana.

Aparentemente estressada, a técnica de enfermagem Márcia Rodrigues, olhou a criança e fez uma série de perguntas a mãe, que respondeu:

— Está com forte dor de cabeça, febre e neste domingo vomitou. Mas, meu filho vai ser atendido assim na porta?

A servidora, da leva contratada há um mês, colocou o garoto para dentro da unidade e explicou para a mãe que só estavam sendo atendidos pacientes encaminhados por médicos, Corpo de Bombeiros e Samu, além de crianças que chegam até a porta do hospital, que demostre quadro de risco.

— Não estamos negligenciando, mas não podemos assumir o risco de atender muita gente de forma precária — afirma.

Além de Márcia, um enfermeiro terceirizado ajuda no setor. Em outros hospitais, a saída encontrada pelo governo foi colocar profissionais contratados emergencialmente. Outra medida foi autorizar, de forma temporária, o limite de 70 para 100 horas-plantão por mês para os servidores que não estão em greve. Mesmo assim, foi necessário pagar por quatro leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) à iniciativa privada no domingo.

— Tem pessoas dobrando o plantão até 32 horas contínuas para conseguir manter o funcionamento dos hospitais. Fizemos contratação de terceirizados, mas não vamos informar o número de profissionais — informou o secretário de Saúde Dalmo Claro de Oliveira.

A situação dos hospitais*

:: Florianópolis

- Hospital Governador Celso Ramos: setor de emergência, com reduzido número de servidores, mas em funcionamento
- Hospital Infantil Joana de Gusmão: a emergência só atende casos graves
- Maternidade Carmela Dutra: unidade está com as portas fechadas. Só atende pacientes em estado grave e que estão em trabalho de parto
- Hospital Florianópolis: emergência funciona normalmente
- Hospital Nereu Ramos: 70% dos serviços mantidos

:: São José

- Instituto de Cardiologia: emergência e ambulatório fechados
- Hospital Regional: emergência em funcionamento

:: Joinville

- Hospital Regional Hans Dieter Schmidt: situação mais crítica é a UTI, que está com 10 pacientes e média de quatro enfermeiros
- Maternidade Darci Vargas: emergência funciona com poucos funcionários. Nesta segunda-feira, havia apenas um técnico e uma enfermeira. Servidores administrativos não estão em greve

:: Lages

- Hospital Geral e Maternidade Tereza Ramos: 55% de serviços em funcionamento. Há indicação de retorno de servidores

Diário Catarinense
 


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